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sábado, 29 de novembro de 2008

Dia 21 – 24/10/08 (sexta) – Puno / Cusco (A pior ladeira da minha vida)


Arrumei tudo e fui tomar café em frente ao hotel. As 9:30h já estava pronto na recepção quando uma das irlandesas me chamou pra ir a praça pegar a mãe e ficamos por lá vendo armar uma feira estudantil. Voltamos as 10 para o hotel, hora de saída do ônibus e veio um rapaz dizer que o ônibus só sairia as 12h. Fazer o quê? Esperamos dando mais uma volta na cidade e as 12h vieram nos pegar. Fiquei vendo uma espécie de procissão...era uma comemoração religiosa e tinham várias crianças. Foi muito legal estar lá com a cidade em festa.




Entramos na van rumo a Cusco. Após uma rodada pelo centro entrou um outro gringo e um casal de brasileiros já mais velhos. Comecamos a sair da cidade e achei estranho o motorista não saber sair de Puno. A responsável pelo trasnfer e da agência em cusco, uma peruana baixinha disse estar tudo bem...coloquei o mp3 e não esquentei a cabeça.


Paramos num posto de gasolina e logo depois vi que paramos em outro e em outro, o cara só tinha dolares e nenhum aceitava, até que o quarto aceitou e ele encheu o tanque. Pegamos a estrada principal e antes do bloqueio teriamos que pegar a estrada secundaria. Várias vezes o cara parou pra perguntar o caminho ou a situação da estrada e eu já estava ficando preocupado com isso. Até que ele nos disse que a estrada estava realmente bloqueada e que pegariamos a outra estrada e levariamos mais 3 horas pra chegar a Cusco.


Pegamos uma estradinha de terra a esquerda e um minuto depois o cara retorna...estrada errada. Seguimos em frente e a esquerda avistei carros e vans seguindo por uma estrada sinuosa a esquerda, era a estrada certa.




Pegamos a estrada de terra e realmente era impossível um ônibus passar ali, mal passava um carro. Subimos em curvas muitas vezes e passamos a cerca de 5.100 m. A estrada é linda mas super perigosa. Ao descermos pelo outro lado começamos a margear uma lagoa e alguns povoados. Derepente a van parou e o cara desceu pra tirar pedras do caminho. A estrada também estava bloqueada. Isso aconteceu umas 4 vezes. E em muitas outras tivemos que desviar dos restos de bloqueio.



Volta e meia ele parava e perguntava algo...senti que o cara tava perdido. Isso já devia ser quase 17 horas e depois de 5 horas somente faltaria 1h para Cusco...engano! Um Sr. Na estrada pediu carona e o cara parou e perguntou o caminho pra Cusco, o Sr. Disse que sabia e entrou na van, foi a nossa sorte. O cara nos guiou por entre aquelas estradinhas onde só tinha algumas casas, e por várias vezes pegamos estradas que nem sequer parecia o caminho principal. Quando foi 18 horas perguntei quanto faltava e o cara me disse que mais 3 horas. Olhei pros brasileiros e disse em voz alta: A 3 horas atras faltam 3 horas!!!! E todos riram.


Anoiteceu e eu estava sem ver nada a minha volta e só curva de um lado e de outro. Morrendo de fome, só tinha tomado o café e minha água tinha acabado. Todos dentro da van dividiram o que tinhamos e a mulherzinha disse que parariamos em um povoado para comprar algo pra comer.


Depois de 1h paramos num lugar muito ermo. As pessoas nos olhavamos como bicho e fomos numa tendinha comprar algo. Comprei 3 mini-sacos de batata frita e umas bolachas, alem de água nova. Ficamos ali por uns 20 minutos. A luz acabou, ficou tudo as escuras, depois voltou e a gente esperando o motorista.


Seguimos viagem e só se via que tinha estrada nas encostas acima da gente e a altura que estávamos quando os faróis dos carros iluminavam as montanhas, o que achei muito bonito. As 20h encontramos a estrada principal de novo. Começamos a descer em direcao a Cusco e fiquei aliviado de sair daquela estrada. Passamos pela saída a Puerto Maldonado e eu estava a apenas 380 km do Acre...me deu uma puta vontade de ir pra casa.


Chegando em Cusco, a cidade estava muito movimentada, muitos carros e as ruas super apertadas. Quando cheguei na praça de armas achei a cidade belissima!!!! É fantastica e linda a noite.


A mulherzinha me levou até o hotel que era mais barato que o hostel internatonal e bem mais perto da praça de armas. Fui com ela e deixei minhas coisas no hostel. Tomei um banho e fui pra porta do Mama Africa me encontrar com a Talita e com o Ivor. Marcamos 22:30h. Esperei até 22:50h quase congelando sentado na calçada e nada deles...decidi sair dali pois estava congelando de frio e fui ao McDonalds comer algo. Adorei o McDonalds de Cusco, alem do ótimo atendimento, podemos pegar vários tipos de molhos picantes! Não sai a noite aquele dia, decidi deixar para o dia seguinte explorar Cusco.

Dia 20 – 23/10/08 (quinta) – Puno (Lago Titicaca)


Acordei cedo, organizei a mochila e desci pra perguntar sobre o passeio do Titicaca, a mulher da recepção queria que eu fechasse naquela hora mas disse que responderia mas tarde. Perguntei do trasnfer pra Cusco e ela me ofereceu um serviço turistico que passava por ruínas e não era um ônibus comum, só turistas, e com almoco incluido. Esse eu aceitei e fechei com ela pro dia seguinte. Fui ligar pro Moises, o guia da trilha inca, ja que ele disse que estaria em Puno nesse dia. Ele disse que estava perto da praça de armas e eu disse que também e marquei com ele pra nos encontrarmos em 10 minutos em frente a Igreja.


A praça estava cheia, e as ruas também...ai vi que Puno era legalzinha e me simpatizei com a cidade. Muitas lojas, turistas e lugares pra comer. Esperei ele por uns 20 minutos, até que ele chegou. Ele me recebeu super bem, fomos caminhando pra sua agência e ele me explicou tudo sobre a trilha inca. Disse que queria ir no Titicaca e ele tinha o passeio pras 4h da tarde. Como ia fazer a trilha com ele, fechei o passeio da ilha de Uros com ele. Nos despedimos e fui procurar um lugar pra comer.


Depois de procurar bem, entrei em umr restaurante pra comer massa e aceitei provar a Inca Kola (blergh). Tinha uma mesa com umas 8 pessoas, e quando entrei notei que eram brasileiros. Nao dei atenção mas sentei numa mesa perto. Enquanto esperava a comida, entrou um Peruano e percebi que era guia deles e começou um papo de dizer que a estrada entre Puno e Cusco estava bloqueada e tal. Comecei a prestar atenção na conversa e me perguntei querendo saber o que se passava.



Me apresentei e perguntei o que a agência deles faria pra levá-los a Cusco. O cara disse que eles iriam de microonibus por uma estrada que não estava bloqueada e de terra, que ônibus não passava e esse era o único jeito de se chegar a cusco. Perguntei se não podia ir junto e o cara disse pra procurar a agência dele e resolver com a gerente. Anotei o endereço e disse que passaria a noite, após o passeio no Titicaca.


Ao voltar pro hotel a mulher me informou a mesma coisa, a estrada estava bloqueada e ia me devolver o dinheiro. Enfim, aceitei de volta e disse que ia resolver após voltar do Titicaca.


Descansei no quarto e as 16h vieram me pegar para o tour na ilha de Oruros. Junto comigo foram duas irlandesas do hotel e chegando no barco conheci um casal de brasileiros, Ivor e Talita. Conversei com uns gringos e nada do barco sair. Entrou um carinha tocando musica regional, depois demos uns trocados a eles e o barco saiu.




Nao achei o Titicaca tão belo assim, é grandioso, mas normal. O guia nos ensinou palavras em Quechua para dizermos ao chegarmos na ilha. Fomos bem recebidos pelos nativos, que nos ajudaram a descer do barco e depois tivemos uma palestra sobre a vida deles e como mantém as ilhas flutuantes. Depois ficamos vendo artesanatos deles e subimos num barquinho inca para ir pra outra ilha. No barquinho, após já estarmos na travessia, os nativos nos cobraram 8 soles por isso. Uns gringos ficaram putos. Na outra ilha ficamos tirando fotos e os gringos ao saberem que éramos do Brasil comecaram a trocar ideia sobre futebol e tudo o mais, na verdade queriam nos zoar mas nao conseguiram.





As ilhas estavam cheias e com excursões locais também. As garotas de uma escola quiseram tirar fotos comigo e com uns gringos também (não sei oq ue viram em mim...). nas ilhas tem feirinhas com a venda de artesanato local e acabei comprando uma pulseira bem legal.



Fomos embora e ao descer me despedi da Talita e do Ivor e marcamos de nos encontrar em Cusco no dia seguinte as 22:30h em frente a boate Mama Africa. Sabendo que as irlandeses iam a Cusco também, fomos tentar agências que nos pudêssem levar a Cusco. Ônibus não havia. Fui com a filha da irlandesa até a Leons Tur (agência que peguei o endereço) e ao chegarmos lá soubemos que não poderiamos ir no microonibus dos brasileiros. Descidimos ir em outra agência e na primeira que entramos fechamos o transfer pela estrada secundaria que nos levaria a Cusco. Sairiamos amanhã pela manhã.


A noite fui sozinho comer pizza e escolhi a pizzaria Machu Pizza, bem na rua principal...caminhei parando em algumas lojas e na praça principal que tem uma igreja enorme e linda, fruto da construção espanhola. A pizza estava boa e o lugar era aconchegante. Eu já estava a 20 dias viajando e a viagem tava indo pra parte final, infelizmente. Eu já estava regulando o dinheiro, afinal eu ainda tinha Cusco e Lima pela frente e não podia ficar sem nada...


Dia 19 – 22/10/08 (quarta) – Arica / Tacna / Puno


Eu e o africano descemos do ônibus e ainda não havia amanhecido em Arica. Junto com um casal de espanhois fomos pegar um taxi pra fronteira. Pegamos o primeiro que nos ofereceu, o custo foi de 3.000 pesos. Achei ótimo. O cara colocou nossas bagagens no porta malas que não fechou! Ele amarrou com uma corda e fomos pra fronteira. O carro do cara era super velho, mas estiloso, um Pontiac.



Ao chegarmos na fronteira as 6, ele nos disse que teriamos que esperar ate as 7h!!! A fronteira é no meio do deserto e é super frio. Questinamos o porque de termos saido do terminal correndo para lá naquele frio. E ele nos disse que se não saíssemos logo depois a fronteira fica com uma fila gigantesca. Bom...me convenceu. Eramos o terceiro da fila de carros.


Uma hora depois dentro do carro, começamos a nadar. Saímos do carro sem as mochilas e carimbamos nossa saída do Chile. Entramos no carro andamos um pouco, paramos e saimos com tudo para carimbarmos a entrada no Peru. Passei pelo detector de metais e pronto estava no Peru.



Ainda faltava uns 50 km até Tacna. O taxista nos deixou no terminal Flores. E ao chegar em Tacna pude perceber a notável diferença entre Chile e Peru. A cidade é uma imensa favela!!!!! Horrivel. No terminal ele ainda foi conosco fazer câmbio. Troquei tudo o que tinha de pesos chilenos para soles e também 50 dolares (1 para 3). Achei a cotação boa.O taxista ainda me levou no outro ponto de taxi pois os ônibus com saída para Puno ficam em outro terminal, um de nome impronunciável...rsrsrsrsrs


O taxista me cobrou 5 soles e estava tão cansado que não quis ficar barganhando o preço. Aceitei e ele foi muito simpático. Este foi o momento que mais dme senti sozinho na viagem! Tipo...um lugar pobre, um taxista nada confiável, sem ter a mínima noção de ele tava me levando pro caminho certo ou não...no fim ele me deixou no terminal, ufa! Liguei pra casa, comprei a passagem e comprei um energético da coca-cola (só tinha quente) e um biscoito tipo waffer. Sentei perto do ônibus e mal sabia que estava para começar a pior viagem rodoviaria da minha vida.


Antes de entrar no ônibus, olhando os Peruanos eu senti meu estomago revirar. Tipo..eles entraram com tudo quanto é coisa no onibus, pensei comigo, isso não vai prestar. Sentei na parte de cima e ao meu lado um cara, mais ou menos 25 anos. Tentei trocar umas idéias com ele, mas ou o meu espanhol que era elogiado em todos os lugares que passava ficou pior, ou ele nao estava falando espanhol o tempo todo. Era a segunda opção. Ele misturava três idiomas, isso descobri depois de muita conversa com ele. Ele estava falando espanhol, quechua e um outro!


Logo ao comecar a viagem a paisagem é completamente desértica e depois vai mudando conforme vai se aproximando das montanhas. Derepente olho pro lado e ele esta chupando um saco com um líquido branco e coisas que não pude identificar dentro. Perguntei o que era e ele disse carne. Nao entendi e perguntei de novo...não poderia ser carne sendo a maior parte da gosma branca. Era uma espécie de sopa q exalava um cheiro terrivel. Assim que ele acabou de comer ele simplesmente tacou o saco no chão e pronto. Olhei pro chão, olhei pra ele com uma cara de espanto e simplesmente ele riu...


A viagem toda não foi diferente, em cada povoado mulheres entravam gritando: empanadas, empanadas e outras coisas. Nao havia nada industrial pra se comprar, as 13h todos desceram e começaram a comprar comida numa tenda e levaram pra dentro do ônibus...o cheiro ficou pior e depois novamente vi pessoas tacando os restos no chão ou pela janela.


Depois de sofridas 10h eu vi o Titicaca...lindo...grandioso, nao se via a outra margem de tão grande. Pensei comigo, chegamos! Nada...foram mais 2h até Puno até que já noite cheguei a Puno.


A cidade é estranha a noite na parte do terminal, peguei minha mochila e procurei alguém para informações de hotel. O posto de informações turísticas tava fechado. Achei uma mulher que fica falando os horários dos ônibus e perguntei de hotel, ela não sabia, mas disse que ficar perto da praça de armas era bom. Ela falou pra eu tomar um taxi, agradeci e peguei o primeiro que vi parado no terminal. O cara me cobrou 4 soles e eu perguntei de hoteis, ele disse q conhecia um bom, no centro, por 30 soles. Achei caro, mas realmente não tava afim de dividir quarto com ninguem. Aceitei mesmo achando caro.


O taxista me levou até a porta do hotel e cai na cama de cansaço, num quarto só meu e com chuveiro quente. Morrendo de fome, sai e perguntei na recepção por pizza. Em frente tinha uma. Comi a melhor pizza da minha vida, não sei se foi pela fome de ter passado um dia inteiro sem comer ou se era boa mesmo...o pessoal da pizzaria me adorou por eu ser brasileiro e capricharam, depois me deram um ponche pra me aquecer e me agradaram de tudo quanto foi jeito.