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sábado, 29 de novembro de 2008

Dia 28 – 31/10/08 (sexta) – Machu Picchu (Hipnotizado por este lugar)


No último dia, acordei dez minutos mais cedo, ou seja 4:20 da manhã...fiquei pelo menos este tempo pra conseguir colocar as lentes dentro da barraca com a ajuda de um espelho e do Andreas segurando a lanterna. Descobri que fui o único que consegui dormir seco, pois de madrugada chuveu muuuuito e fiquei realmente preocupado de no dia mais importante não podermos aproveitar nada!


Tudo foi meio corrido, vi que já tinha grupos saindo pra trilha de madrugada e que a gente tinha que correr tb senão a porta do sol ficaria lotada. Eu preocupado com minha lerdeza nas descidas perguntei se havia muitas e o guia disse que sim. Combinei com ele de arrancar na frente e que depois eles me alcançariam... ele disse tudo bem e sai batido sozinho na trilha. Estas últimas duas horas de caminhada são um saco, porque ao contrário dos outros dias em que parece não haver ninguém no caminho este dia é totalmente engarrafado!


Na minha pressa, passava na cara dura um monte de gente...e algumas vezes achava que eles estavam andando lentos demais ou eu é que estava bem demais, não sei! Só sei que havia tomado dois tylenol, um antes de dormir e outro ao acordar além de recompor todos os band-aids que tinham nos dedos dos pés e me senti novo em folha.


Só sei que andei tanto, mas tanto q me vi junto ao primeiro grupo...porque não via mais ninguém pra frente da trilha...até que junto a este grupo começou uma subida suspeita que não estava na programação do dia...


A subida foi crescendo e crescendo e virou um subidão...e tb foi igualmente horrível...ou seja...todos os dias tem subidas péssimas, até o último, neste é até pior, pois o caminho fica quase 90º graus, um paredão de degraus q tem que subir com a mão e nem é bom olhar pra trás...eu subi curvado pro peso da mochila não me levar pra trás e no fim da subida vi que já tinha era muita gente numas ruinas e todo mundo olhando em uma direção...quando vi...era Machu Picchu!!!!!



Linda, envolta pelas nuvens...creio q neste momento fiquei vendo ela por somente 30 segundos. Depois de uns 30 minutos chegou o meu grupo e era impossível ver Machu Picchu. Continuamos a descida e continuei na frente do grupo...quando cheguei na porta do sol achei a imagem fantástica...fiquei parado olhando a cidade como que embasbacado!



Vi q o Andreas vinha atrás de mim e logo depois os mexicanos, ficamos tão empolgados que fomos além do permitido com mochilas e quando o guia chegou nos orientou voltarmos e irmos para a entrada do parque.

Carimbamos o passaporte, deixamos as mochilas no guarda-objetos, compramos água e ficamos esperando o Roberto resolver algumas coisas. Liguei para casa e entramos na cidade finalmente.




As primeiras duas horas seguimos o Roberto nos explicando cada lugar da cidade...fiquei ansioso por tirar algumas fotos mas depois vi que teria muito tempo e ai voltar em cada lugar novamente. Depois de tudo explicado ele pediu que escrevêssemos algumas palavras sobre o serviço da agencia, entregou os tickets de trem e depois se despediu de nós.



Exceto os americanos que se desligaram completamente da gente, fomos todos a entrada de Wanna Picchu. Eu de ante-mão disse que não iria subir, porque ao contrário dos demais só tinha este dia em Machu Picchu e queria aproveitar a cidade. Acabei convencendo eles a não irem e irem no dia seguinte e fomos todos rodar a cidade. Fomos no Templo do Condor, templo das três ventanas, templo do sol, setor urbano, praça central, setor agrícola, no observatório, casa real...




Acabei retornando em todos os pontos da cidade, analisamos cada lugar, falamos sobre as pedras, sobre a cultura, especulamos o que devia ser isso ou aquilo e pegamos carona em algumas explicações de guias próximos. Voltei na porta em que o Che Guevara tirou sua fotoe registrei a minha. Depois fomos até o templo do sol e depois até a parte alta onde ficamos sentados observando a cidade por 1 hora. Aproveitei e deitei na grama e dormi um pouco...aproveitando a energia do lugar.









Por volta de duas horas começamos a ir pra saída da cidade. Pegamos nossas coisas e depois compramos o ticket do ônibus. Em águas calientes, paramos em um restaurante e comemos devorando a comida de tanta fome que tínhamos. Ficamos bebendo cerveja também e aproveitei para gravar minhas fotos para todos em DVD.




Uma mulher apareceu com fotos nossa do início da trilha e caminhando em formato grande e como sai bem em todas comprei as duas por 10 soles. Pouco antes do horário do trem, me convenceram a ficar em águas calientes e fomos ver se era possível trocar o ticket para o dia seguinte. Não era possível, tive que comprar outro, mas depois fui informado que só chegaria em cusco após o horário de saída do meu vôo para Lima. Desisti da troca e acabei tendo q ir pra Cusco no mesmo dia.


Chegando em Olhataytambo depois de 3 horas de trem junto com os americanos, vi que era dia de halloween e ao contrário do Brasil as crianças estavam como nos EUA vestidas de monstros e pedindo doces...os estrangeiros tb aproveitaram e vi muitos deles com máscaras comemorando a festa.


Ao chegar em Cusco vi muita gente fantasiado e muitas boates enfeitadas pro halloween...queria muito ir, mas estava muito, muito cansado...eu não conseguia subir direito um degrau de tanto dor nas pernas. Resolvi me enfiar na cama e ir dormir.

Dia 27 – 30/10/08 (quinta) – Trilha Inca (terceiro dia)


No café o guia nos perguntou como dormimos, todos disseram que mal e ele nos revelou que o acampamento está em cima de um antigo cemitério!!!! Ainda bem que o aviso foi feito depois de termos dormido, por que em hipótese alguma eu ai conseguir dormir naquele lugar!!!


Começamos o que seria o dia mais tranqüilo, o maior em kilometros, o que teria mais sítios arqueológicos no caminho e o com menos subida. E sim, foi em parte isso pela grande descida do final para o acampamento e pelo início do dia! Durante o trajeto inicial tivemos uma subidinha boa...que também não é tão fácil, mas muito menos difícil do que a do segundo dia...porém ao chegar neste 3º passo eu estava igualmente cansado e disse que ele tinha mentido pra gente dizendo que as subidas acabaram....ele só ria da gente!




Este terceiro passo deve ser uns 400 metros mais baixo que o segundo, mas como havíamos descido ontem muitos metros a sensação era de que estávamos subindo os 4215 novamente...e desta vez eu estava com a minha mochila nas costas...ou seja foi horrível. Depois disso, descidas e subidas pequenas, porém nas descidas eu ficava pra trás...meu joelho instável não me permitia errar nada...por várias vezes pensei: vai ser agora que vou torcer o tornozelo ou que vou cair feio e nada...



Ao passarmos no topo de uma montanha avistamos águas calientes...estava muito perto!!! E logo depois por trás de umas montanhas o topo do Wanna Picchu. Machu Picchu estava por detrás de algumas montanhas....muito perto!




Depois de visitar um último sítio, avistei o quanto de descida tinha e fiquei realmente pra trás...só o guia ficou atrás de mim e estranhamente por várias vezes vi que ele não se aproximava, deixava eu caminhar sozinho...isso foi bom...porque eu pude refletir muito neste dia...pensei bastante e passei por trechos sozinho....como uma escadaria dentro de uma caverna e trechos de ponte que estavam construídas por que o caminho desabou no abismo, além de algumas cachoeiras, uma delas bem grande.




No fim, o guia se aproximou e me passou...me disse o número do acampamento e fui sozinho os últimos metros da trilha...chegando lá desabei na barraca e o Andreas fiqcou curtindo com a minha cara. A infra-estrutura do último acampamento era boa, tinha água quente, um restaurante fechado e vendia muitas coisas, porém tudo caríssimo...só que naquela hora ninguém se importava muito com o preço. Tomei banho depois de três dias e fomos esperar a janta que seria especial. Antes comi chocolate, tomamos umas cervejas e todos dos outros grupos já estavam comemorando como se já estivessem em Machu Picchu. Ficavam dançando, brindando e etc.


A janta foi super generosa, com frango, pimentão recheado, batatas coradas, legumes, arroz e tudo estava muito bom!!! Aliás por todos os dias!!! Depois da janta fomos lá pra fora em uma reunião com os porteadores onde falamos algumas palavras de agradecimento por cada país e demos uma gorjeta pelos serviços. Tiramos fotos juntos e voltamos para jogar cartas! Depois, combinamos o planejamento do dia final e fomos dormir.

Dia 26 – 29/10/08 (quarta) – Trilha Inca (segundo dia)

Choveu desde a noite de ontem até o amanhecer de hoje. Troquei de roupa, sai da barraca e foi tudo muito rápido, em 40 minutos, já estava na trilha. Antes deixei que os americanos colocassem o que quisessem na minha mochila e eu fiquei sem nada pra carregar...isso salvou o meu dia!


No início foi legal, mas começamos a pegar uma subida forte, muito forte. Neste dia começamos a avistar outros grupos e paramos em um posto de controle para descansarmos. Depois retomamos a subida e entramos em uma área de vegetação forte com muitos degraus.


Comecei a subir muito devagar, passo a passo e fiquei perto dos americanos, conversando no que dava. Neste dia estava sem lente, o suor caia nos meus olhos e ardia a vista. Em uma das tiradas do óculos do rosto, a haste quebrou...putz. Tive que emendar com band-aid. Continuei subindo e depois a parte de vegetação se abriu um pouco ao entrarmos em um vale. No topo da montanha estava o 2º passo, o da mulher morta a 4.215m e teríamos cerca de 2 horas pra subir tudo...incrivelmente peguei um fôlego e usei um exercício q o guia ao subir o villarica me explicou...que a subida tem que ser cadenciada, em um mesmo ritmo, passo a passo...digamos eu contava de batidas do cajado e dava uma respirada forte...não sei se foi por isso, mas eu e o Andreas começamos a nos distanciar do restante do grupo e rara foi as vezes que pude prestar atenção na paisagem durante a subida, pois minha concentração foi grande.



Eu estava ficando cada vez mais exausto e a cada virada que eu avistava mais subida eu me desesperava dizendo q não ia conseguir...pra piorar, a garoa que caia virou chuva e tive que colocar o poncho que era uma merda e me molhava de todo o jeito. Depois de um tempo desisti do poncho e coloquei o mesmo dentro do meu anorak na minha frente e comecei a andar...nisso todos já estavam pra trás...comecei a caminhar sozinho e como estava adiantado parava com mais freqüência pra admirar o caminho e descansar. As montanhas eram enormes e lindas. Parecia que eu estava dentro do elo perdido. Quando cheguei no lugar do acampamento, fiquei quase dez minutos sentado esperando o restante do pessoal, o que foi ótimo, porque quem chegava por último andava mais devagar, mas descansava menos...vi q o negócio era dar tudo quando o terreno era plano ou quando me sentia bem e depois administrar a “vantagem” no restante do tempo.


Depois do descanso de todos, parti na frente com o Andreas para a pior parte do dia...a chuva ia e vinha e já estava pouco me importando com isso, eu estava completamente molhado. Essa parte é realmente a mais difícil...mas incrivelmente usando a minha técnica de concentração, conseguimos ir em um bom ritmo até os 4000 metros. Fiquei satisfeito de saber que só haviam mais uns 200 metros de altura e pensei q eram moleza. Fui conferir após a curva da trilha o quanto isso representava e me assustei ao ver o quanto ainda tinha que subir...era tão alto que parecia mais uns 1000 metros. Não acreditava que 200 metros era algo tão alto.



Desabei e fiquei lá sentado muito cansado...realmente andar nessa altitude é totalmente diferente, apesar de não estar passando mal nem nada. Após 10 minutos continuamos...havia muita gente no caminho...o engraçado é que hora eu passava certas pessoas e hora elas me passavam...outras eu passava batido e dava dó os mais velhos olharem pra gente bufando e com certeza desejarem ser um pouquinho mais novos ou mais bem preparados fisicamente. Enfim...continuamos eu e Andreas um incentivando o outro e também hora um mais a frente, hora mais atrás...até q dei uma arrancada e cheguei no topo uns 2 minutos na frente dele....fui direto para a estaca de madeira marcando a altitude do lugar e fiquei esperando os outros sentado ao lado dela...



O guia parabenizou a todos (os americanos chegaram uma meia hora depois) e descansamos um pouco mais neste lugar...havia muita nuvem e fazia muito frio!!! O restante do dia era escadaria pura para baixo. Incrivelmente foi ai que senti que teria problemas...pra mim foi muito mais difícil de descer do que subir...meu problema no joelho voltou a incomodar e usei muito o cajado...os degraus eram totalmente diferentes e escorregadios por causa da chuva....meu ritmo ficou lento e todos me passaram exceto os americanos e por várias minutos caminhei sozinho o que foi ótimo.


Chegamos no acampamento e ali ficaríamos por toda a tarde e noite, não íamos mais andar neste dia...comemos e ficamos conversando sobre tudo, sobre nossos países, política, idiomas, tudo. Depois a noite, começamos a questionar histórias ao Roberto sobre os outros grupos e coisas sobrenaturais tb. Pra que fizemos isso...ele nos contou cada coisa de arrepiar e após a janta nem fui até o banheiro, que ficava a uns 50 metros por uma trilha, fui direto pra barraca e até dormir levei horas e mesmo assim dormi muito mal.

Dia 25 – 28/10/08 (terca) – Trilha Inca (primeiro dia)

Depois de 20 dias após o fim da viagem, volto a escrever o blog...vou tentar me lembrar de tudo, é que depois da trilha Inca, tudo ficou corrido e não consegui colocar mais nenhuma linha no papel.


Lembro de acordar no horário e esperar o guia com minhas coisas na recepção do hostel, ele também chegou pontualmente e fomos andando até a praça de armas onde o microônibus estava parado já com todos os integrantes do grupo. Entrei no ônibus, dei bom dia a todos e ninguém respondeu...já achei estranho!


Fomos para Olhataytambo e chegando lá paramos em um mercadinho para comprar comida, comprei água e chocolate e finalmente puxei papo com o Australiano q estava no grupo, Andreas. Ficamos conversando de boa, ele foi muito legal...depois seguimos viagem até o km 82. Chegamos em um grande pátio onde estava parado vários outros microônibus de outras agências, e todos se preparando para a subida. Cheguei na sacada e já pude ver a fila de porteadores para pegar autorização para a subida. Não íamos passar por aquilo. O nosso posto de controle estava mais a frente ao lado da famosa pontezinha pelo rio Urubamba.


O guia nos deu um protetor para ficar embaixo do saco de dormir e achei aquilo uma droga, pois era mais uma coisa a carregar. Passamos protetor solar, o tempo não estava firme e seguimos para entrada da trilha. Antes paramos para a foto na placa do caminho Inca e ao nos posicionarmos ficamos no meio de um enxame de abelhas, um bem grande...o guia nos disse para ficarmos parados e eu fiquei imóvel...todo aqule zumbido a minha volta, até q aos poucos elas se foram e nem tocaram na gente!



Tiramos a foto, pegamos nosso passaporte, o ticket q ele nos deu e passamos com um pouco de demora pelo controle. Ficamos esperando o guia do outro lado da ponte e conversando com outros que iam subindo. Depois de uns 20 minutos começamos a subida.




No início, tudo tranqüilo, a trilha segue pelo vale, próximo ao rio a esquerda e numa altitude baixa sem problemas, o ritmo é rápido pois o terreno é quase plano! Parávamos pra descansar de 45 em 45 minutos e após algumas subidas mais íngremes. Passamos por algumas casas com mulheres e crianças no quintal e alguns animais, como cachorro, galinhas e ovelhas. O almoço foi em um lugar plano e com uma vista espetacular de montanhas, algo incrível. Fiquei conversando com os mexicanos e só os americanos não se enturmaram. Na parte da tarde, paramos em uma placa com todo o trecho de altitude do caminho inca e o guia nos explicou o quanto subiríamos. Tipo, eu já estava cansado mas quando vi o quanto tínhamos que subi, vi q o dia seguinte seria terrível. Paramos em algumas ruínas e o guia foi nos explicando tudo.




No fim do dia próximo ao acampamento me deu uma preguiça de andar e cheguei por último...eu tava com as pernas que não me aguentava e também já estava chuviscando um pouco mais forte. Quando chegamos no acampamento, as barracas já estavam todas montadas e o lanche da tarde servido. Comemos e ficamos até o jantar conversando na tenda. Havia banheiro e também uma mulher vendendo chocolates e outras coisas. O guai sugeriu a possibilidade de contratarmos carregadores somente para amanhã para as nossas mochilas. Ele nos deixou a sós e ficamos discutindo a relação custo-benefício e achamos por bem contratar três carregadores pelas seis pessoas.