sábado, 29 de novembro de 2008

Dia 25 – 28/10/08 (terca) – Trilha Inca (primeiro dia)

Depois de 20 dias após o fim da viagem, volto a escrever o blog...vou tentar me lembrar de tudo, é que depois da trilha Inca, tudo ficou corrido e não consegui colocar mais nenhuma linha no papel.


Lembro de acordar no horário e esperar o guia com minhas coisas na recepção do hostel, ele também chegou pontualmente e fomos andando até a praça de armas onde o microônibus estava parado já com todos os integrantes do grupo. Entrei no ônibus, dei bom dia a todos e ninguém respondeu...já achei estranho!


Fomos para Olhataytambo e chegando lá paramos em um mercadinho para comprar comida, comprei água e chocolate e finalmente puxei papo com o Australiano q estava no grupo, Andreas. Ficamos conversando de boa, ele foi muito legal...depois seguimos viagem até o km 82. Chegamos em um grande pátio onde estava parado vários outros microônibus de outras agências, e todos se preparando para a subida. Cheguei na sacada e já pude ver a fila de porteadores para pegar autorização para a subida. Não íamos passar por aquilo. O nosso posto de controle estava mais a frente ao lado da famosa pontezinha pelo rio Urubamba.


O guia nos deu um protetor para ficar embaixo do saco de dormir e achei aquilo uma droga, pois era mais uma coisa a carregar. Passamos protetor solar, o tempo não estava firme e seguimos para entrada da trilha. Antes paramos para a foto na placa do caminho Inca e ao nos posicionarmos ficamos no meio de um enxame de abelhas, um bem grande...o guia nos disse para ficarmos parados e eu fiquei imóvel...todo aqule zumbido a minha volta, até q aos poucos elas se foram e nem tocaram na gente!



Tiramos a foto, pegamos nosso passaporte, o ticket q ele nos deu e passamos com um pouco de demora pelo controle. Ficamos esperando o guia do outro lado da ponte e conversando com outros que iam subindo. Depois de uns 20 minutos começamos a subida.




No início, tudo tranqüilo, a trilha segue pelo vale, próximo ao rio a esquerda e numa altitude baixa sem problemas, o ritmo é rápido pois o terreno é quase plano! Parávamos pra descansar de 45 em 45 minutos e após algumas subidas mais íngremes. Passamos por algumas casas com mulheres e crianças no quintal e alguns animais, como cachorro, galinhas e ovelhas. O almoço foi em um lugar plano e com uma vista espetacular de montanhas, algo incrível. Fiquei conversando com os mexicanos e só os americanos não se enturmaram. Na parte da tarde, paramos em uma placa com todo o trecho de altitude do caminho inca e o guia nos explicou o quanto subiríamos. Tipo, eu já estava cansado mas quando vi o quanto tínhamos que subi, vi q o dia seguinte seria terrível. Paramos em algumas ruínas e o guia foi nos explicando tudo.




No fim do dia próximo ao acampamento me deu uma preguiça de andar e cheguei por último...eu tava com as pernas que não me aguentava e também já estava chuviscando um pouco mais forte. Quando chegamos no acampamento, as barracas já estavam todas montadas e o lanche da tarde servido. Comemos e ficamos até o jantar conversando na tenda. Havia banheiro e também uma mulher vendendo chocolates e outras coisas. O guai sugeriu a possibilidade de contratarmos carregadores somente para amanhã para as nossas mochilas. Ele nos deixou a sós e ficamos discutindo a relação custo-benefício e achamos por bem contratar três carregadores pelas seis pessoas.

Dia 24 – 27/10/08 (segunda) – Cusco (Preparativos pra trilha Inca)

Acordei puto as 9 com um americano e uma espanhola que estavam conversando quase aos berros na porta do meu quarto. Sai do quarto com uma cara de nenhum amigo! E fui me trocar. Fui numa lan house gravar fotos e enviar pro orkut e depois saquei dinheiro. Fui na agência comprar a passagem pra Lima ou tentar trocar meu vôo com saida de Lima para saida de Cusco.


O cara da agencia era muito lerdo e aquilo me estressou. No fim minha passagem não poderia ser mudada, pois pagaria muito caro. Resolvi comprar a passagem cusco-lima de avião. Não queria mais andar de ônibus no Peru.


Fui comprar presentes para todos e voltei no mercado municipal e nas lojas de artesanatos para turistas. Cusco é um lugar bem legal para se comprar coisas artesanais. Depois almocei por volta das 13h, voltei pro hostel e resolvi adiantar bem o blog ja que ia descansar mesmo hoje.


A noite fiquei de bobeira na praça de armas e depois fui dormir. No dia seguinte estaria na trilha inca.

Dia 23 – 26/10/08 (domingo) – Vale Sagrado (Entendendo os Incas e se divertindo em Cusco)


Sai 15 pras 8 pra tomar café e quando voltei ja tinham passado pra me buscar pro tour do vale sagrado. A menina da recepção correu comigo até a praça de armas e achou a mulher da agência que me encaminhou a outra praça onde fiquei esperando o ônibus junto com outros turistas. Enquanto estava na praça notei que não estava bem...acordei meio mal do estomago e quase cancelei o passeio, mas resolvi encarar.


Entrei no ônibus e já estava lotado. A conta certa, sentei ao lado de uma velha que era um saco. Ela falava em um espanhol incompreensivel e a toda hora queria me dizer algo e ainda por cima era super espalhafatosa. Alias todos no Peru parecem sentar largados. O guia perguntou o nome e a nacionalidade de cada um e fez umas piadas.


Fomos primeiro ao vale sagrado, o ônibus subiu, subiu e subiu e eu me aguentando de tão mal que estava. Era o famoso Soroche. Quando desci no mirante, mas gente pedindo pra comprar coisas e eles falam de um jeito que parece que estão sofrendo, implorando e são muito insistentes! Tirei fotos, o cara disse que o rio lá embaixo era o Amazonas, nao acreditei e deixei pra lá....depois procuro saber sobre isso.



Paramos numa feira de artesanatos e quando entrei um garoto me deu um chá de coca...aquilo teoricamente é bom pro estomago, mas acho que não ajudou em nada, além de que o gosto nao é dos melhores. Dois brasileiros vieram bater papo comigo e com todos que encontrei sempre bati papo, mas neste dia eu tava péssimo e fiquei completamente monossilábico com eles...devem ter me achado antipático, mas é que não conseguia ficar bem. Voltamos pro ônibus e quando a velha entrou ela estava comendo um milho, nossa, aquele cheiro acabou por embrulhar o meu estomago.


Quando levantei da cadeira pra ela passar soltei um: Ah não, dios mio! Que várias pessoas entenderam e riram. O cheiro era horrivel, ela comia de boa aberta...pensei comigo, só podia ser peruana. Quando chegamos em Pisac, entrou um cara solicitando os tickets do circuito turistico e o cara falou que andariamos 6 km!!! O meu humor ficou num estado negativo! Muita escadaria e ladeira, percorremos todas as ruinas de Pisac e paramos pras explicações. Achei a cidade interessante, as trilhas perigosas e vi que aquilo era um pequeno aperitivo para o que veria em Machu Picchu. No retorno pegamos uma escadaria enorme, aquilo me deixou completamente cansado, associado ao fato que estava passando mal.



Quando chegamos em urubamba para o almoco, corri pro banheiro. Nao aguentei e chamei o raul!!!! Nossa...aquilo foi aliviante demais, realmente algo que comi nao me fez bem, ou foi as curvas na estrada somado a altitude, não sei. Só sei que fui ao restaurante, comprei uma coca cola e só. Nao podia ver ou ouvir falar em comida. Fiquei no jardim conversando com uma Peruana que estava no tour, liguei pra casa e depois fomos pro ônibus. A partir dali fiquei melhor e quando chegamos em Olhataytambo já estava quase 100%.


A cidade é base pra saida do trem para águas calientes e também pra o inicio da trilha inca, dei uma olhada pra me abituar com o lugar e achei tudo muito interessante. O visual do lugar é irado demais. Entramos na cidade e comecamos a subir os terracos de plantio feito nas encostas da montanha. Paramos em um deles para explicações e depois continuamos.






A subida foi congestionada, eram muitos turistas, isso eu achei um saco no Peru, diferente do Chile. Aqui é infestado de gente...e muitos velhos, europeus eles parecem que não se dão conta de que tem outras pessoas querendo tirar fotos ou ver as coisas, parece que são os donos do mundo e não são capazes de te dar um sorriso, sejam os mais velhos ou os mais novos. Ao contrario dos brasileiros, argentinos e outros paises mais pobres.


Lá em cima sentamos todos ao redor do templo do sol e o que faltou foi sol, porque o tempo estava começando a fechar de uma forma que me senti como um Inca em cima daquela montanha numa tempestade. Começou a trovejar e a cair pingos de chuva enromes. O guia disse que a chuva era boa, que eram os deuses e tal...bom eu nem ninguém ficou lá em cima esperando que um raio caisse na minha cabeça e resolvi descer. As pedras eram muito escorregadias e quase cai por duas vezes.


É impressionante as construcoes incas, tem peças de mais de 140 toneladas no topo de morros sem acesso algum. Perguntei ao guia como eles fizeram isso, como conseguiam e ele usou a teoria clássica do muita gente, muito tempo, com muito coração. Perguntei se não receberam nenhum tipo de ajuda meio que espacial e ele negou fortemente, pareceu ate ficar um pouco ofendido.


A cultura Inca é muito interessante, é baseada no três, tem três deuses, ve no homem, na mulher e no filho uma triplice unidade. É comunista, ou seja, um produzia e sedia para o outro e o outro dava em troca alguma coisa. Conheciam biologia, astronomia, economia, matematica, trigonometria e etc.


Adoravam arco-íris e fizeram de suas cores a sua bandeira. Por isso tudo em Cusco parece ser um ambiente gay-friendly. E adoravam o sol e a lua fazendo sacrificos para eles inclusive de mães com crianças e principalmente meninas virgens!!!



Cheguei em Cusco as 19h. Fui pro hotel, tomei banho, apanhei minhas roupas na lavanderia e soube que o guia da trilha Inca tinha me procurado no hotel e retornaria em 10 minutos. Pouco depois ele apareceu, fomos pra uma mesa e ele me explicou tudo, disse tudo o que precisaria comprar e disse coisas importantes. Me pareceu que iriamos para uma operacao de guerra. Me perguntou se tinha alguma doença, quis ver minhas roupas. Disse várias vezes coisas que eram muito importantes e que não poderia deixar de seguir, emfim, me deu uma direção bem minusciosa do desafio.


Fomos até uma casa de cambio, troquei os dolares e paguei os 130 que faltavam. Na despedida ele disse pra eu não sair amanha a noite e descansar bem.Depois fui esperar o Ivor que passaria no hotel as 21h pois iriamos pra alguma balada. 21:15 ele chegou e disse que marcou com outras duas brasileiras em frente a catedral. Estava menos frio que ontem mas mesmo assim estava bem frio. Depois a Talita chegou trazendo o saco de dormir que ele me emprestaria. Esperamos as garotas mais um pouco e depois desistimos e fomos comer.


Fomos a um restaurante italiano, comi uma lasagna e ficamos batendo papo. Depois decidimos ir a alguma boate, pois tinhamos recebido vários tickets de drinks gratis. Acabamos indo ao Mama Africa. O lugar não estava muito cheio, mas a musica estava boa. Como sempre muitos gringos. Ficamos lá bebendo e depois fomos pra outra mais animada...e bota animada nisso. A mithology, bem perto do meu hotel. Entramos já dancando, pegamos mais drinks e depois de dois drinks, uma cerveja e uma tequila eu ja estava com eles em cima do palco.


Uma mulher me agarrou e começou a se esfregar em mim, disse que era peruana e que amava brasileiros e disse que era o aniversario dela. Fiquei aturando ela já que ela era feia e também não tava nada sobria, volta e meia se jogava pra trás e eu tinha a obrigação de segurá-la se não ela dava com as costas no chao!!! Me desgrudei dela e continuamos dançando juntos. Encontramos as brasileiras e bebi mais um pouco. La pelas 3 da manhã fui pro hostel.

Dia 22 – 25/10/08 (sabado) – Cusco (O umbigo do mundo)


Acordei e fui conhecer a cidade. Saquei dinheiro, paguei o hotel, depois fui ao posto de informações turisticas, peguei um mapa e fui procurar tours para o vale sagrado. Acabei indo na própria agência do hotel e fechei por 25 soles o vale sagrado. Só que tinha que comprar o tal ticket turistico de Cusco. Um absurdo de caro (mais de 100 soles). Voltei no posto de informações turisticas e me mandaram pro atendimento ao turista na prefeitura de Cusco. Comprei o ticket parcial.



Rodei a cidade toda, tirei fotos na praca de armas, fui ver a famosa pedra dos 12 ângulos e dei uns soles pra um garoto me explicar várias coisas do antigo palácio Inka. Fui ao mercado San Blas e me impressionei com a quantidade de produtos que eles vendem por lá. Eu adoro mercados publicos. Lá dentro comecou a desabar uma chuva gigante. O pior é que chuvia la dentro tb...rsrsrsrsrs









Fiquei esperando a chuva passar e voltei para a cidade. Fiquei de bobeira no hotel, entrei no MSN e depois fui pra festa do Sr. dos Milagres. A praca de armas estava cheia de gente, com bandas, gente dançando e fogos de artificio também. Parecia uma festa junina. La pelas 22h começaram a estourar fogos em estruturas que giravam e foi lindo demais. Soltaram fogos típicos de reveillon também!




Perguntei algo a um Sr. que estava perto e ele começou a conversar comigo, sobre tudo. Disse que era de Cusco e tinha 76 anos. Falou tudo da vida dele, do Peru e de como os políticos nem aparecem por ali. Disse que o Peru é cheio de ouro e que nas florestas está lotado. Me disse que já foi jovem como eu e era bonito...eu dei trela pra todo aquele papo pois ele era muito gente boa e ouvir ele falar todas aquelas historias e dizer como o tempo passou rápido pra ele me deu uma sensação de pressa e de que tenho que aproveitar a vida muito grande.


Ficamos olhando os fogos, tinham mais de 30 estruturas. Estava muito frio, disse que lhe pagaria um ponche. Fomos até lá e acabou saindo de graça. A mulher nos deu de cortesia, era da banda. Pouco depois o Ivor e a Talita me encontraram. Ficamos batendo papo sobre a nossa travessia de Puno para Cusco e a deles foi bem pior, pois ficaram no meio da briga entre os manifestantes e a Policia e ainda tiveram que andar por horas de madrugada pela estrada...rsrsrsrsrs.


Os fogos acabaram eram 0:00h, nos despedimos do velhinho e fomos procurar um restaurante para comer. Comemos pizza e tomamos pisco sauer e ficamos conversando sobre tudo. Na hora de ir embora vários caras nos pararam pra entrar nas boates e inclusive nos ofereceram todo o tipo de droga. Fomos cada um pro seu hotel.

Dia 21 – 24/10/08 (sexta) – Puno / Cusco (A pior ladeira da minha vida)


Arrumei tudo e fui tomar café em frente ao hotel. As 9:30h já estava pronto na recepção quando uma das irlandesas me chamou pra ir a praça pegar a mãe e ficamos por lá vendo armar uma feira estudantil. Voltamos as 10 para o hotel, hora de saída do ônibus e veio um rapaz dizer que o ônibus só sairia as 12h. Fazer o quê? Esperamos dando mais uma volta na cidade e as 12h vieram nos pegar. Fiquei vendo uma espécie de procissão...era uma comemoração religiosa e tinham várias crianças. Foi muito legal estar lá com a cidade em festa.




Entramos na van rumo a Cusco. Após uma rodada pelo centro entrou um outro gringo e um casal de brasileiros já mais velhos. Comecamos a sair da cidade e achei estranho o motorista não saber sair de Puno. A responsável pelo trasnfer e da agência em cusco, uma peruana baixinha disse estar tudo bem...coloquei o mp3 e não esquentei a cabeça.


Paramos num posto de gasolina e logo depois vi que paramos em outro e em outro, o cara só tinha dolares e nenhum aceitava, até que o quarto aceitou e ele encheu o tanque. Pegamos a estrada principal e antes do bloqueio teriamos que pegar a estrada secundaria. Várias vezes o cara parou pra perguntar o caminho ou a situação da estrada e eu já estava ficando preocupado com isso. Até que ele nos disse que a estrada estava realmente bloqueada e que pegariamos a outra estrada e levariamos mais 3 horas pra chegar a Cusco.


Pegamos uma estradinha de terra a esquerda e um minuto depois o cara retorna...estrada errada. Seguimos em frente e a esquerda avistei carros e vans seguindo por uma estrada sinuosa a esquerda, era a estrada certa.




Pegamos a estrada de terra e realmente era impossível um ônibus passar ali, mal passava um carro. Subimos em curvas muitas vezes e passamos a cerca de 5.100 m. A estrada é linda mas super perigosa. Ao descermos pelo outro lado começamos a margear uma lagoa e alguns povoados. Derepente a van parou e o cara desceu pra tirar pedras do caminho. A estrada também estava bloqueada. Isso aconteceu umas 4 vezes. E em muitas outras tivemos que desviar dos restos de bloqueio.



Volta e meia ele parava e perguntava algo...senti que o cara tava perdido. Isso já devia ser quase 17 horas e depois de 5 horas somente faltaria 1h para Cusco...engano! Um Sr. Na estrada pediu carona e o cara parou e perguntou o caminho pra Cusco, o Sr. Disse que sabia e entrou na van, foi a nossa sorte. O cara nos guiou por entre aquelas estradinhas onde só tinha algumas casas, e por várias vezes pegamos estradas que nem sequer parecia o caminho principal. Quando foi 18 horas perguntei quanto faltava e o cara me disse que mais 3 horas. Olhei pros brasileiros e disse em voz alta: A 3 horas atras faltam 3 horas!!!! E todos riram.


Anoiteceu e eu estava sem ver nada a minha volta e só curva de um lado e de outro. Morrendo de fome, só tinha tomado o café e minha água tinha acabado. Todos dentro da van dividiram o que tinhamos e a mulherzinha disse que parariamos em um povoado para comprar algo pra comer.


Depois de 1h paramos num lugar muito ermo. As pessoas nos olhavamos como bicho e fomos numa tendinha comprar algo. Comprei 3 mini-sacos de batata frita e umas bolachas, alem de água nova. Ficamos ali por uns 20 minutos. A luz acabou, ficou tudo as escuras, depois voltou e a gente esperando o motorista.


Seguimos viagem e só se via que tinha estrada nas encostas acima da gente e a altura que estávamos quando os faróis dos carros iluminavam as montanhas, o que achei muito bonito. As 20h encontramos a estrada principal de novo. Começamos a descer em direcao a Cusco e fiquei aliviado de sair daquela estrada. Passamos pela saída a Puerto Maldonado e eu estava a apenas 380 km do Acre...me deu uma puta vontade de ir pra casa.


Chegando em Cusco, a cidade estava muito movimentada, muitos carros e as ruas super apertadas. Quando cheguei na praça de armas achei a cidade belissima!!!! É fantastica e linda a noite.


A mulherzinha me levou até o hotel que era mais barato que o hostel internatonal e bem mais perto da praça de armas. Fui com ela e deixei minhas coisas no hostel. Tomei um banho e fui pra porta do Mama Africa me encontrar com a Talita e com o Ivor. Marcamos 22:30h. Esperei até 22:50h quase congelando sentado na calçada e nada deles...decidi sair dali pois estava congelando de frio e fui ao McDonalds comer algo. Adorei o McDonalds de Cusco, alem do ótimo atendimento, podemos pegar vários tipos de molhos picantes! Não sai a noite aquele dia, decidi deixar para o dia seguinte explorar Cusco.

Dia 20 – 23/10/08 (quinta) – Puno (Lago Titicaca)


Acordei cedo, organizei a mochila e desci pra perguntar sobre o passeio do Titicaca, a mulher da recepção queria que eu fechasse naquela hora mas disse que responderia mas tarde. Perguntei do trasnfer pra Cusco e ela me ofereceu um serviço turistico que passava por ruínas e não era um ônibus comum, só turistas, e com almoco incluido. Esse eu aceitei e fechei com ela pro dia seguinte. Fui ligar pro Moises, o guia da trilha inca, ja que ele disse que estaria em Puno nesse dia. Ele disse que estava perto da praça de armas e eu disse que também e marquei com ele pra nos encontrarmos em 10 minutos em frente a Igreja.


A praça estava cheia, e as ruas também...ai vi que Puno era legalzinha e me simpatizei com a cidade. Muitas lojas, turistas e lugares pra comer. Esperei ele por uns 20 minutos, até que ele chegou. Ele me recebeu super bem, fomos caminhando pra sua agência e ele me explicou tudo sobre a trilha inca. Disse que queria ir no Titicaca e ele tinha o passeio pras 4h da tarde. Como ia fazer a trilha com ele, fechei o passeio da ilha de Uros com ele. Nos despedimos e fui procurar um lugar pra comer.


Depois de procurar bem, entrei em umr restaurante pra comer massa e aceitei provar a Inca Kola (blergh). Tinha uma mesa com umas 8 pessoas, e quando entrei notei que eram brasileiros. Nao dei atenção mas sentei numa mesa perto. Enquanto esperava a comida, entrou um Peruano e percebi que era guia deles e começou um papo de dizer que a estrada entre Puno e Cusco estava bloqueada e tal. Comecei a prestar atenção na conversa e me perguntei querendo saber o que se passava.



Me apresentei e perguntei o que a agência deles faria pra levá-los a Cusco. O cara disse que eles iriam de microonibus por uma estrada que não estava bloqueada e de terra, que ônibus não passava e esse era o único jeito de se chegar a cusco. Perguntei se não podia ir junto e o cara disse pra procurar a agência dele e resolver com a gerente. Anotei o endereço e disse que passaria a noite, após o passeio no Titicaca.


Ao voltar pro hotel a mulher me informou a mesma coisa, a estrada estava bloqueada e ia me devolver o dinheiro. Enfim, aceitei de volta e disse que ia resolver após voltar do Titicaca.


Descansei no quarto e as 16h vieram me pegar para o tour na ilha de Oruros. Junto comigo foram duas irlandesas do hotel e chegando no barco conheci um casal de brasileiros, Ivor e Talita. Conversei com uns gringos e nada do barco sair. Entrou um carinha tocando musica regional, depois demos uns trocados a eles e o barco saiu.




Nao achei o Titicaca tão belo assim, é grandioso, mas normal. O guia nos ensinou palavras em Quechua para dizermos ao chegarmos na ilha. Fomos bem recebidos pelos nativos, que nos ajudaram a descer do barco e depois tivemos uma palestra sobre a vida deles e como mantém as ilhas flutuantes. Depois ficamos vendo artesanatos deles e subimos num barquinho inca para ir pra outra ilha. No barquinho, após já estarmos na travessia, os nativos nos cobraram 8 soles por isso. Uns gringos ficaram putos. Na outra ilha ficamos tirando fotos e os gringos ao saberem que éramos do Brasil comecaram a trocar ideia sobre futebol e tudo o mais, na verdade queriam nos zoar mas nao conseguiram.





As ilhas estavam cheias e com excursões locais também. As garotas de uma escola quiseram tirar fotos comigo e com uns gringos também (não sei oq ue viram em mim...). nas ilhas tem feirinhas com a venda de artesanato local e acabei comprando uma pulseira bem legal.



Fomos embora e ao descer me despedi da Talita e do Ivor e marcamos de nos encontrar em Cusco no dia seguinte as 22:30h em frente a boate Mama Africa. Sabendo que as irlandeses iam a Cusco também, fomos tentar agências que nos pudêssem levar a Cusco. Ônibus não havia. Fui com a filha da irlandesa até a Leons Tur (agência que peguei o endereço) e ao chegarmos lá soubemos que não poderiamos ir no microonibus dos brasileiros. Descidimos ir em outra agência e na primeira que entramos fechamos o transfer pela estrada secundaria que nos levaria a Cusco. Sairiamos amanhã pela manhã.


A noite fui sozinho comer pizza e escolhi a pizzaria Machu Pizza, bem na rua principal...caminhei parando em algumas lojas e na praça principal que tem uma igreja enorme e linda, fruto da construção espanhola. A pizza estava boa e o lugar era aconchegante. Eu já estava a 20 dias viajando e a viagem tava indo pra parte final, infelizmente. Eu já estava regulando o dinheiro, afinal eu ainda tinha Cusco e Lima pela frente e não podia ficar sem nada...


Dia 19 – 22/10/08 (quarta) – Arica / Tacna / Puno


Eu e o africano descemos do ônibus e ainda não havia amanhecido em Arica. Junto com um casal de espanhois fomos pegar um taxi pra fronteira. Pegamos o primeiro que nos ofereceu, o custo foi de 3.000 pesos. Achei ótimo. O cara colocou nossas bagagens no porta malas que não fechou! Ele amarrou com uma corda e fomos pra fronteira. O carro do cara era super velho, mas estiloso, um Pontiac.



Ao chegarmos na fronteira as 6, ele nos disse que teriamos que esperar ate as 7h!!! A fronteira é no meio do deserto e é super frio. Questinamos o porque de termos saido do terminal correndo para lá naquele frio. E ele nos disse que se não saíssemos logo depois a fronteira fica com uma fila gigantesca. Bom...me convenceu. Eramos o terceiro da fila de carros.


Uma hora depois dentro do carro, começamos a nadar. Saímos do carro sem as mochilas e carimbamos nossa saída do Chile. Entramos no carro andamos um pouco, paramos e saimos com tudo para carimbarmos a entrada no Peru. Passei pelo detector de metais e pronto estava no Peru.



Ainda faltava uns 50 km até Tacna. O taxista nos deixou no terminal Flores. E ao chegar em Tacna pude perceber a notável diferença entre Chile e Peru. A cidade é uma imensa favela!!!!! Horrivel. No terminal ele ainda foi conosco fazer câmbio. Troquei tudo o que tinha de pesos chilenos para soles e também 50 dolares (1 para 3). Achei a cotação boa.O taxista ainda me levou no outro ponto de taxi pois os ônibus com saída para Puno ficam em outro terminal, um de nome impronunciável...rsrsrsrsrs


O taxista me cobrou 5 soles e estava tão cansado que não quis ficar barganhando o preço. Aceitei e ele foi muito simpático. Este foi o momento que mais dme senti sozinho na viagem! Tipo...um lugar pobre, um taxista nada confiável, sem ter a mínima noção de ele tava me levando pro caminho certo ou não...no fim ele me deixou no terminal, ufa! Liguei pra casa, comprei a passagem e comprei um energético da coca-cola (só tinha quente) e um biscoito tipo waffer. Sentei perto do ônibus e mal sabia que estava para começar a pior viagem rodoviaria da minha vida.


Antes de entrar no ônibus, olhando os Peruanos eu senti meu estomago revirar. Tipo..eles entraram com tudo quanto é coisa no onibus, pensei comigo, isso não vai prestar. Sentei na parte de cima e ao meu lado um cara, mais ou menos 25 anos. Tentei trocar umas idéias com ele, mas ou o meu espanhol que era elogiado em todos os lugares que passava ficou pior, ou ele nao estava falando espanhol o tempo todo. Era a segunda opção. Ele misturava três idiomas, isso descobri depois de muita conversa com ele. Ele estava falando espanhol, quechua e um outro!


Logo ao comecar a viagem a paisagem é completamente desértica e depois vai mudando conforme vai se aproximando das montanhas. Derepente olho pro lado e ele esta chupando um saco com um líquido branco e coisas que não pude identificar dentro. Perguntei o que era e ele disse carne. Nao entendi e perguntei de novo...não poderia ser carne sendo a maior parte da gosma branca. Era uma espécie de sopa q exalava um cheiro terrivel. Assim que ele acabou de comer ele simplesmente tacou o saco no chão e pronto. Olhei pro chão, olhei pra ele com uma cara de espanto e simplesmente ele riu...


A viagem toda não foi diferente, em cada povoado mulheres entravam gritando: empanadas, empanadas e outras coisas. Nao havia nada industrial pra se comprar, as 13h todos desceram e começaram a comprar comida numa tenda e levaram pra dentro do ônibus...o cheiro ficou pior e depois novamente vi pessoas tacando os restos no chão ou pela janela.


Depois de sofridas 10h eu vi o Titicaca...lindo...grandioso, nao se via a outra margem de tão grande. Pensei comigo, chegamos! Nada...foram mais 2h até Puno até que já noite cheguei a Puno.


A cidade é estranha a noite na parte do terminal, peguei minha mochila e procurei alguém para informações de hotel. O posto de informações turísticas tava fechado. Achei uma mulher que fica falando os horários dos ônibus e perguntei de hotel, ela não sabia, mas disse que ficar perto da praça de armas era bom. Ela falou pra eu tomar um taxi, agradeci e peguei o primeiro que vi parado no terminal. O cara me cobrou 4 soles e eu perguntei de hoteis, ele disse q conhecia um bom, no centro, por 30 soles. Achei caro, mas realmente não tava afim de dividir quarto com ninguem. Aceitei mesmo achando caro.


O taxista me levou até a porta do hotel e cai na cama de cansaço, num quarto só meu e com chuveiro quente. Morrendo de fome, sai e perguntei na recepção por pizza. Em frente tinha uma. Comi a melhor pizza da minha vida, não sei se foi pela fome de ter passado um dia inteiro sem comer ou se era boa mesmo...o pessoal da pizzaria me adorou por eu ser brasileiro e capricharam, depois me deram um ponche pra me aquecer e me agradaram de tudo quanto foi jeito.

Dia 18 – 21/10/08 (terca) – San Pedro de Atacama (Geisers del Tatio / Vale da Morte / Vale da Lua)


Quase não dormi na espectativa de ter que acordar. O ônibus passaria entre 4 e 4:15 pra me pegar no hostel. Quando finalmente consegui dormir, ja eram mais de 1:30 e acordei as 4 em ponto. Na verdade, dei um pulo da cama pois estava completamente atrasado e poderia perder o tour. Nem o frio me impediu de sair descalco até o banheiro lá nos fundos do lado de fora, escovar os dentes me trocar e colocar a lente. Neste momento ouvi o som do microonibus, tentei correr até a porta e quando cheguei na recepção o cara do hostel disse que eles voltariam em 10 minutos. Corri de volta pro banheiro, acabei de me arrumar e quando sai na porta do hostel o ônibus estava chegando.


Percebi que todo mundo me olhou meio estranho, acho que porque dei uma atrasada em todos...hauhauahuahau. Mas depois decobri que não fui o único, já que o cara parou em outros dois hoteis e teve que ficar batendo palma e esperar o pessoal sair.


O ônibus comecou a subir, subir e subir, e eu acabei pegando no sono, e acho que isso foi o que me salvou de não passar mal. Quando o guia começou a nos acordar estavamos na entrada dos geisers. Olhei para o vidro da janela e tinha agua congelada!!!! Botei minhas luvas e quando sai a sensação era horrivel...estava fazendo -12º graus e eu estava a 4.300 metros de altitude. Dois recordes! Tentei me mecher de tudo quanto era jeito. O sol ainda não havia saido e por isso temos que visitar os geisers tao cedo, eles só funcionam quando é muito frio. E essa temperatura ja não era tão fria para eles!


Fomos caminhando por entre fendas onde saem vapores com cheiro de enxofre e o vapor era quente o que ajudou um pouco, os que saiam água eu nem chegava perto, pois a altura variava e fiquei com receio de me queimar. Muitos se queimam, a água esta a uns 90º graus de temperatura!




Fiquei junto do guia e conversei bastante sobre o local. Quando o sol saiu ja estava perto do ônibus, onde serviram café e pão. Aquilo foi a salvação, mesmo assim fiquei dentro do onbius, estava com hipotermia. Estranho foi ver um cara de bermuda!!!! Saimos dos Geisers e fomos até um povoado local onde comi empanada de queijo de cabra. Fiquei conversando com um suiço e tentei tirar a foto de uma senhora nativa, mas ela nao permitiu...fomos parando em vários locais de um vale para observar os animais e os vulcões como o Putana.





Cheguei na cidade, fui tomar banho, arrumei a mochila, descansei um pouco e depois sai com tudo do hotel. Eram 14:30h e sairia para o Vale da Morte as 16:00h. Comi uma empanada, comprei a passagem para Arica a noite, comprei chocolate e entrei um pouco na internet.


As 15:30h fui pra agencia, fiquei conversando com o pessoal. Estava passando uma novela brasileira, as mulheres estavam assistindo como que hipnotizadas...disse a elas que aquela novela era velha no Brasil. E elas disseram que era nova no Chile....hauhauahau. Avisei ao cara da agência que meu onibus pra Arica sairia as 20:45h do terminal e que precisava estar as 20:30h no máximo de volta a San Pedro. Ele me garantiu que eu estaria de volta...


O passeio para o Vale da Morte / Vale da Lua saiu com uns 20 mintuos de atraso, levei minha mochila, pois desceria direto no terminal...o tempo estava correndo! Fomos ate um mirador e apreciamos o deserto como um todo, o lugar era lindo e o guia era muito bom, pois explicou coisas da formação do deserto e tudo o mais. Depois fomos para o vale da morte. Espetacular o lugar!!!!! Lindo demais...um vale gigantesco que sai num imenso lugar, com duas rochas e tudo o mais, onde realmente parece que a vida nao consegue chegar neste lugar.



Depois fomos para o vale da Lua onde antes paramos para ver uma formacao rochosa com a figura de três Marias rezando. O guia nos explicou que os nativos consideram três os animais protetores do deserto: A Salamandra (subterrâneo), o Pulman (sobre a terra) e o Condor (no ar). Fomos pro Vale da Lua e ficariamos ali ate o sol cair (o que era estimado para as 19:45h) e ficamos mesmo, o lugar foi o mais lindo do Atacama...impressionante, as dunas, as rochas, a imensidao, tudo...me deu uma paz muito grande este lugar.






As 20h o ônibus saiu...e 20:25 desci no terminal, agradeci ao guia e quando cheguei no patio o ônibus estava lá prontinho. Cheguei junto com um sul africano e ficamos conversando. Entramos no ônibus e ele estava na mesma fileira que eu so divididos pelo corredor. Ficamos conversando e rindo com um filme do Jack Chen. Quando paramos em Callama, desci e peguei meus óculos na mochila, pois ainda estava com a lente e sabia que se não as tirasse minha viagem seria um inferno até chegarmos em Arica. A viagem foi tranquila e mais uma vez fui dormindo. Chegamos a Arica as 5:30h da manhã.